
Foi de repente. Foi como se um soluço ficasse preso cá dentro, a subir pelo peito, lentamente, sem explodir. Ainda sinto a cabeça a andar à roda, num misto de confusão e racionalidade. Tenho as mãos a suar e já me vi ao espelho – estou mais branca do que o habitual e falta-me um brilho qualquer no olhar, que está parado. Sinto-me a latejar por dentro mas não posso chorar… Porque, quando a questão é grave de mais sou sempre tão racional que se me encontrar num reflexo qualquer quase que me pergunto: quem és tu?...
- “Quem sou eu? Sou a menina que queria ir a correr ter contigo, deitar-me ao teu lado nessa cama em que te imagino sozinho, abraçar-te muito e dizer ‘vai ficar tudo bem, eu estou aqui para o que precisares, para sempre, vais ficar bem!’”.
Porque gosto de ti como se fosses do meu sangue. Porque mesmo que passassem mil anos sem falarmos, existe algo inexplicavelmente mais forte que me liga a ti. E só queria ouvir-te responder: “Didas… Foi só um susto. Estou bem. Foi uma lição para todos nós que andamos para aqui a viver o imediato de forma alucinante sem pensar no futuro ou no mal que fazemos a nós mesmos, mas aprendi, aprendemos todos. Estou bem.”
* Tiramos esta foto juntos... E eu sei que é todo este areal que vou percorrer, a correr de mãos dadas contigo, a rir, até ao mar - não tarda nada - sem que tudo isto não tenha passado de um aviso para todos, nada mais!
