Sexta-feira, 2 de Março de 2012

Estas lides ainda são para mim?

Desde que apaguei o histórico do Hypokeimenon do meu coração que a coisa ficou assim para o desenxabida… Já vim aqui por diversas vezes, já abri a janelita da “nova mensagem” vezes sem conta, e apetecer-me escrever qualquer coisita, até me apetece, mas parece que subitamente não me saem mais do que três palavras seguidas que façam algum sentido. Gostava muito de voltar às lides da blogosfera - a sério que sim -, mas não está fácil.

Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

J. Edgar

O trailer é mais intenso do que o filme. Gostei, mas foi morno, para a semana já não me lembro dele. Gosto de ver filmes de amor ou ódio. Filmes que suscitem paixão, intensidade, filmes cujo enredo, ou as personagens, ou qualquer coisa, viva um pouquinho dentro de quem o vê, depois do fim, da descida dos panos. 
Este é um filmezinho de domingo à tarde. Pouco profundo. Falta-lhe um je ne sais quois de sal, de intensidade... Está tudo lá, até podia ser, mas não é vibrante. A história está mal contada. Talvez - atrevo-me a dizer - propositadamente mal contada. Ou por outra, a história até está bem contada, o quê não passa disso, de um relato, de uma história. Até mesmo quando o J. Edgar rebola no chão e o amante o beija à força, não há intensidade, não há nada... Nem mesmo quando a mãe morre e ele veste o vestido e põe o colar... Até mesmo aí, que poderia ser um momento intenso, não. É oco. O espetador flutua sobre as cenas, mas não consegue mergulhar porque não há profundidade para tal.

Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

Então Almitra disse, fala-nos do Amor.


Quando o Amor surgir, segue-O,
Mesmo que o caminho seja árduo e sinuoso.
E quando as asas do Amor te envolverem, deixa-te abraçar,
Mesmo que possas ser ferido pela espada oculta pelas plumas.
E quando Ele falar contigo, acredita.
Mesmo que a Sua voz possa despedaçar os teus sonhos, tal como faz o vento do norte ao passar por um canteiro de rosas, num jardim.
Pois o Amor, assim como coroa, também sacrifica. Assim como faz florescer, também poda.

Mesmo que Ele suba até ao mais elevado de ti e te acaricie com os Seus mais ternos ramos, que ondulam ao sol,
Também Ele irá descer às tuas raízes mais profundas, abanando-as, enquanto elas se tentam prender à terra.
Tal como os feixes de trigo, compactos e unos, o Amor irá fundir-se contigo, unindo-te com Ele,
E em seguida, irá despojar-te, tal como na separação do trigo e do joio, até ficares totalmente despido.
O Amor irá peneirar-te para te libertar das impurezas,
Irá moer-te até à alvura.
Irá amassar-te até te tornares moldável.
E então, aí, irá cozer-te no calor do Seu fogo, para que te transformes no pão da sagrada celebração.

Tudo isto te fará o Amor, para que desvendes os segredos do teu coração, e com essa sabedoria te possas transformar num fragmento da essência da Vida.
Mas se por medo, procurares só a paz do Amor e o prazer do Amor,
Então é melhor que oculteis a tua nudez e que tombes imediatamente sobre a eira,
Num mundo sem estações, onde irás dar gargalhadas - mas nunca todos os teus sorrisos -, onde irás chorar - mas nunca todas as tuas lágrimas.

O Amor não dá se não a Si mesmo, não tira se não de Si mesmo.
O Amor basta-se a Si mesmo.
Quando Amares, não devereis dizer "ele está no meu coração", mas antes "eu estou no Seu coração".
E não penses que podes alterar o rumo do Amor, se fores digno do Amor, Ele direccionará o Seu rumo ao teu encontro.
O Amor não tem outro desejo se não o de se preencher a Si mesmo.
Mas se Amares e tiveres necessidade de sentir desejos, deixa que sejam estas as tuas vontades:
Fundir-te e ser como um regato que corre e canta, mesmo durante a noite;
Mergulhar na dor de sentir tanta, mas tanta ternura;
Ser ferido pela compreensão do Amor;
Sangrar com vontade e alegremente;
Despertar de madrugada com o coração que parece ter asas e dar graças por um novo dia de Amor;
Repousar ao final da tarde e meditar sobre este êxtase;
Regressar a casa, ao final do dia, com gratidão;
E por fim, adormecer com uma prece e um cântico de louvor que dança e jubila por entre os teus lábios.

O Profeta - Kahlil Gibran

Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

Tudo o que existe finda.

Mas não termina, transforma-se. E para que esse fim, esse renascimento, essa transformação aconteça, não é necessário que haja nenhuma condicionante externa, nenhuma razão (das que a razão quer conhecer, ou apontar). É por e simplesmente a manifestação da ordem das coisas. E as coisas nascem, existem e findam, para que depois renasçam e fluam no ciclo da vida. A cessação do velho é por e simplesmente o início do novo. E o novo é imune aos medos - embora os medos o tentem travar. O novo surge, brota, indiferente a esses medos, a quereres ou a não quereres. E só quem conseguir flutuar suavemente entre o velho e o novo, conseguirá sorrir com o coração.