Terça-feira, Dezembro 30, 2008

Às vezes...


... as coisas boas acabam.

Terça-feira, Dezembro 23, 2008

Quando a guarda apontou fui eu quem o abraçou.

A noite vinha fria
negras sombras a rondavam
era meia-noite
e o meu amor tardava
a nossa casa,
a nossa vida foi de novo revirada
à meia-noite
o meu amor não estava
ai, eu não sei aonde ele está
se à nossa casa voltará
foi esse o nosso compromisso
e acaso nos tocar o azar
o combinado é não esperar
que o nosso amor é clandestino
com o bebé, escondida,
quis lá eu saber, esperei
era meia-noite
e o meu amor tardava
e arranhada pelas silvas
sei lá eu o que desejei:
não voltar nunca...
amantes, outra casa...
e quando ele por fim chegou
trazia flores que apanhou
e um brinquedo pró menino
e quando a guarda apontou
fui eu quem o abraçou
o nosso amor é
clandestino clandestino.

Deolinda

Quarta-feira, Dezembro 03, 2008

À frente do meu tempo.

O rosto vincado, os cabelos brancos e a pele flácida. O vestido escuro, a mala demodé e os óculos graduados. Nada disto lhe trouxe qualquer tranquilidade.
Aos 20 pensava que eram rompantes da idade. O coração aos saltos, a paixão, a ansiedade, a emoção, o desejo de ser "maior do que os homens".
Aos 30, ainda era nova. Havia de passar aquela ansiedade de viver como se fosse o último dia. Havia de gostar apenas de politica, de desporto e de cultura e deixar as "parvoeiras" da imaturidade de lado.
Passaram os 40, os 50 e os 60.
Aos 70 o coração é o mesmo. Os sonhos são iguais. Ri como uma perdida com as traquinisses dos netos, aproveita as idas ao parque para disfarçadamente andar de baloiço e chora de noite agarrada à almofada com saudades do marido que partiu.
Lê os poetas de sempre e sonha com uma reforma maior. Sonha com umas férias quentes com os netos, um dia, quando ganhar o euromilhões e os deixar bem na vida. Ouve música e por vezes ainda bate o pé ao ritmo enquanto aquece a sopa, ao jantar.
Aos 70 é tudo igual lá dentro. Resta a mágoa pelo corpo que é “fraco de espírito” e já não acompanha a torrente de sentimentos e sonhos que a assaltam diáriamente.
Tal e qual como na juventude. Na terceira idade.