Segunda-feira, Dezembro 17, 2007

A Vó-Velha.


Todos os dias deparo-me com situações de conflito de gerações que observo, alheia aos meus próprios conflitos, com o espírito crítico dos que não querem ver. Todos os dias vejo tantas Vós-velhas, que um dia foram novas mas já ninguém que é novo agora as viu ou ouviu falar.
Todos os dias vejo adolescentes envergonhadas da surdez da avó de 80 anos que fala aos gritos para se fazer ouvir. Da mãe de 70 anos que conta, reconta e torna a contar o troco porque já não tem a destreza mental de antes. Do avó que conduz a 20 km/hora porque já não tem reflexos e o tempo já não é o que era. Todos os dias vejo, no rosto de tantos velhos e novos, uma zanga interior contra o envelhecimento e a perda de capacidades que se manifesta num “oh Vó por amor de deus ande mais de pressa se não perdemos o metro!”. E lá vai a avó, de bengala, com as pernas curvas pelos anos-de-pé-a-cuidar-dos-meninos-depois-das-horas-a-bulir-para-trazer-pão-para-a-mesa-onde-o-avô-se-sentava-pronto-para-comer-sem-falta-todos-os-dias-áquela-hora, um passo a trás do outro como numa corrida em câmara lenta… Ela que andou horas a fio, quando era mais nova, com os filhos pela mão de trás para a frente para trás para a frente para trás, eles com as pernitas tortas a lembrar que ainda são bebés. Ela que agora fica para trás e ninguém compreende a solidão que vive. Ela que educou, ensinou, batalhou e protegeu, agora é simplesmente a vó-velha que não sabe nada (não sabe falar, vestir, pensar e nem sequer agora sabe andar) e parece, aos olhos dos netos e dos filhos, que nunca foi nova, mas sempre a vó-velha que nunca soube nada nem lhes ensinou tudo o que eles são hoje.
A Vó-Velha é a senhora que vai na rua com o saco, atrás do neto que reclama com ela e que olhamos e temos pena. Entramos no metro a pensar na Vó-Velha e quando chegamos a casa lá está a avó outra vez com a televisão aos berros a achar que o mau da novela é má pessoa.
- "Oh Vó por amor de deus! Ponha a televisão mais baixa e despache-se porque de caminho o jantar está pronto e eu já sei como a avó é - faz tudo a 1 à hora - por isso é melhor ir-se lavar já antes que fique tarde!".

Quarta-feira, Dezembro 12, 2007

:-)

Gospostopo depe tipi!

Terça-feira, Dezembro 11, 2007

Estou com saudades...

... de comer 3 folhados no intervalo das aulas a praí 25 escudos cada um
… de telefonar da cabine ao lado da escola a fazer uma ameaça de bomba e não haver aulas o dia todo.
… de levar um saco de roupa para trocar com as minhas amigas
… de dizer: “esqueci-me dos cadernos em casa por isso não trouxe os TPC´s”
… de jogar cartas para a Novidalia o dia todo e baldar-me às aulas, no inverno e…
… de no verão ir para o Asa Delta jogar ao “sobe e desce”
… dos meus amigos assinarem no meu estojo e nos cadernos
… de rabiscar a mesa de aulas toda e de vez em quando ser obrigada a ir buscar o balde e o esfregão para apagar toda aquela obra de arte
… daquelas vespas todas estacionadas à porta da escola
… de ir à pendura numa dessas vespas
… de um amigo ir para a rua e a seguir a turma toda fazer por ter falta disciplinar
… de levar uma carta para a minha melhor amiga


Tantas saudades de coisas tão banais. Saudades que nunca imaginei ter.

Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

Já não há caminho prá voltar...


Bem que se quis
Depois de tudo ainda ser feliz
Mas já não há caminho prá voltar
E o que é que a vida fez da nossa vida?
E o que é que a gente não faz por amor?
Mas tanto fazJá me esqueci de te esquecer porque
O teu desejo é o meu melhor prazer
E o meu destino é querer sempre mais
A minha estrada corre pro teu mar
Agora vem prá perto, vem
Vem depressa, vem sem fim dentro de mim
Que eu quero sentir
O teu corpo pesando sobre o meu
Vem meu amor, vem prá mim
Me abraça devagar
Me beija e me faz esquecer.
- Marisa Monte -

Sexta-feira, Dezembro 07, 2007

Vamos?...


Farta desta vidinha medíocre vazia do que é importante. Farta do relógio, dos minutos que não passam – ou passam depressa de mais quando menos convêm. Farta de não ver o por do sol. Farta do toque do despertador. Farta da cadeira onde me sento todos os dias à mesma hora. Farta da hora de almoço – porque não posso almoçar quando quero, trabalhar quando me apetecer, sair e entrar sempre que quiser?! Farta da sociedade, das conversas de “que calças tão giras!”, “cortaste o cabelo?...”, “o teu verniz é giríssimo!” e de ainda mais hipocrisias que nem sequer me apetece recordar. Farta das conversas invejosas femininas e com tantas saudades da inocência, do riso fácil, das gargalhadas.
Apetece-me levantar e sair.
A seguir vem outra. Ninguém vai notar…
Vou?...
Vamos? Vamos os dois viver!!!
Vamos! Ser felizes, sorrir, passear de mãos dadas, acordar num dia às 6h da manhã e ver o nascer do sol e no outro acordar a meio da tarde e almoçar na praia, ao sol, perto da cabana...
Não preciso caçar javalis... Não me importo de comer para sempre frutas frescas colhidas por aí e beber água da fonte! Desde que a vida não seja mediocre, não existam vernizes, nem cortes de cabelo, nem roupas novas,... Desde que existas tu, estejamos os dois juntos, abraçados no frio e também no calor, não me importa mais nada. Só quero ver a ti, o mar, o pôr-do-sol, sentir a areia nos pés, o cabelo salgado, ver as estrelas sem horas de deitar...
Vamos?
Ninguém vai notar. Vêm outros e tudo continua igual.