60…
59…
58…
57…
56…
55…
Terminei de almoçar. Sento-me na sala de embarque, vazia. Todos os dias, o relógio redondo que está à minha frente avisa-me dos minutos que passam. Se não fosse ele o tempo era estanque. Uma hora. Sessenta minutos completos que correm suavemente diante dos meus olhos.
50…
49…
48…
47…
46…
45…
Todos os dias, ali sentada, observo o que me rodeia.
Apesar da urgência do quotidiano, tudo se desenrola calmamente no aeroporto. Os aviões descolam a rápida velocidade, mas através da janela gigante para onde estou voltada, parecem fazer uma caminhada serena.
40…
39…
38…
37…
36…
35…
As poucas pessoas que ali aguardam têm expressões neutras. Por vezes tento adivinhar para onde irão, se a viagem é de negócios, se vão de férias, se estão felizes ou tristes, se partem para o país de origem, o que sentem. Mas é raro deslindar o propósito de estarem ali a aguardar - que os minutos passem, como eu.
30…
29…
28…
27…
26…
25…
O silêncio é absoluto. Tal como num local de meditação. Um lê uma revista. O outro fala ao telefone (será que se está a despedir de alguém ou a dizer que está para breve a chegada?). Alguém acende um cigarro – eu já acabei o meu há bastante tempo. Olho o relógio mais uma vez…
20…
19…
18…
17…
16…
15…
Mudo de posição, na cadeira. A mesma todos os dias. São tantas que não sei o porquê de escolher sempre a mesma. Mais um avião descola. Outros aterram. As pessoas partem sem deixar vestígios da sua presença naquele local que me parece mágico. Ali não estou em país nenhum. É uma sala neutra. De espera. E eu espero também. Que o tempo passe.
10…
9…
8…
7…
6…
5…
Faltam poucos minutos para a hora de almoço terminar. À hora certa. Todos os dias à mesma hora. Igual. Naquele espaço onde diariamente as pessoas são sempre diferentes. Menos eu. E apesar dessas diferenças comportam-se todas da mesma forma.
Esperam.
0.
Quarta-feira, Setembro 27, 2006
Subscrever:
Mensagens (Atom)
