Sexta-feira, Julho 31, 2009
Quinta-feira, Julho 30, 2009
Possibilidades irrealizadas.
O pensamento mais angustiante de todos é quando, num dado momento, não sabemos como nos iremos nos comportar no momento seguinte.
Søren Aabye Kierkegaard
Søren Aabye Kierkegaard
Quarta-feira, Julho 29, 2009
Dhyána...
Segunda-feira, Julho 27, 2009
Amar a outra pessoa como um ser livre.

Sartre estava convencido de que o amor não era possessão. Para ele, um tipo mais generoso de amor significava amar a outra pessoa como um ser livre. Quando Beauvoir levantou a espinhosa questão do ciúme, Sartre disse que, se contassem tudo um ao outro, um nunca se sentiria excluído da vida do outro. Não deveriam ter segredos. Em casos amorosos, dúvidas, inseguranças e obsessões, deveriam ter como objectivo a abertura total. Ele chamava isso de “transparência”.
in História de uma vida em comum - Hazel Rowley
in História de uma vida em comum - Hazel Rowley
Cara a cara com o que somos.
Todos sabemos, quando reflectimos sem medo, que efémero é tudo aquilo que chamamos de nosso e que acreditamos que nos pertence. A minha casa, o meu carro, a minha mulher, o meu marido, os meus filhos, o meu trabalho, etc, etc, são afirmações que, ao serem pensadas e pronunciadas, criam eixos de referência, o modo de nos enquadrarmos no mundo. Mas, no entanto, não ignoramos que os ventos da vida podem arrastar toda a posse, deixando-nos nus, cara a cara com o que somos e não com o que temos.
in José Carlos Fernandez - Valores Eternos
Sexta-feira, Julho 24, 2009
Retrato da nossa geração mariquinhas.
Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!
-Agora não, que é hora do almoço...
-Agora não, que é hora do jantar...
-Agora não, que eu acho que não posso...
-Amanhã vou trabalhar...
Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!
-Agora não, que me dói a barriga...
-Agora não, dizem que vai chover...
-Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...
Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, e é esta a direcção!
-Agora não, que falta um impresso...
-Agora não, que o meu pai não quer...
-Agora não, que há engarrafamentos...
-Vão sem mim, que eu vou lá ter...
Movimento Perpétuo Associativo - Deolinda
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!
-Agora não, que é hora do almoço...
-Agora não, que é hora do jantar...
-Agora não, que eu acho que não posso...
-Amanhã vou trabalhar...
Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!
-Agora não, que me dói a barriga...
-Agora não, dizem que vai chover...
-Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...
Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, e é esta a direcção!
-Agora não, que falta um impresso...
-Agora não, que o meu pai não quer...
-Agora não, que há engarrafamentos...
-Vão sem mim, que eu vou lá ter...
Movimento Perpétuo Associativo - Deolinda
Quarta-feira, Julho 22, 2009
Simone
"Este afastamento provoca em Beauvoir tamanha contrariedade que Sartre propõe-lhe casamento. Ela se recusa, pois não queria aderir aos moldes das obrigações familiares e sociais, nem alterar a originalidade inestimável de suas relações pessoais. Aos 23 anos, Beauvoir prefere Sartre em liberdade."
"Em Fevereiro de 1934, Beauvoir visita Sartre em Berlim, a fim de se certificar de que a nova paixão dele (pela esposa de um amigo) não a ameaça."
"Em Fevereiro de 1934, Beauvoir visita Sartre em Berlim, a fim de se certificar de que a nova paixão dele (pela esposa de um amigo) não a ameaça."
"Ela não era casada e vivia há anos em concubinato com Sartre; não tinha domicílio fixo, residia em hotéis, corrigia os trabalhos das alunas em cafés e dava aulas sobre os escritores homossexuais Proust e Gide; além disso, Simone demonstrava profundo desprezo por toda a disciplina moral e familiar."
Terça-feira, Julho 21, 2009
Amanhã voltas?
7.5 horas por dia. Cerca de 37.5 horas por semana. 150 horas por mês. Mais coisa, menos coisa 1800 horas por ano. Aqui. Fechada. Aprisionada. Num escritório, uma mesa rectangular, a mesma cadeira, telefone, computador. As mesmas pessoas que partilham de sorriso aberto esta clausura. Lá fora sol. Ou chuva. Ou vento. Aqui o ar artificial de ar condicionado, fresco no Verão, quente no Inverno. Faço todos os dias o mesmo trajecto, sento-me todos os dias disciplinadamente no mesmo lugar.
- “Bom dia”
- “Boa tarde”
- “Até amanhã”
Quando saio, ao final do dia, despeço-me muitas vezes com um “Até um dia, então”, em tom de brincadeira… Mas sei que não passa disso. Que o medo que nos oprime, vindo cá de dentro, do fundo de cada um, não me vai nunca permitir não aparecer. Deixar o meu lugar vazio à espera de outro qualquer que o ocupe. E ser livre.
O medo da liberdade é o pior… Quero ser livre. Queremos todos! Mas sinto-me segura quando como todas as manhãs um pão com manteiga e meia de leite. Sinto-me segura quando o despertador toca à mesma hora todos os dias. Quando sei que posso ligar àquela amiga sempre que quiser almoçar. Sinto-me segura porque sei o que vou fazer amanhã e depois de amanhã e depois e depois e depois. Sinto-me segura porque todos temos os mesmos dias de férias. Porque a seguir a 6ª é sempre Sábado e depois Domingo. Porque todos os anos faço anos e porque tenho um contrato de água, luz, casa, telefone e gás. Sei com o que conto. E isso é o pior… Gera medo. Medo da liberdade.
Ontem ouvi uma música qualquer que dizia algo com “escolher é perder”. Sim, é esse medo. Quando se escolhe ganha-se e perde-se. Mas ganha-se sempre. E também se perde sempre. Por isso é mais fácil não arriscar e aceitar o que já está definido pela maioria há tantos séculos e que vai mudando subtilmente, gentilmente, mas sempre todos juntos. Para todos.
Quando vim para aqui, trabalhar pela primeira vez, alguém que considero muito semelhante a mim disse-me, ao final do dia:
- Amanhã voltas?
Voltei. Claro. Há outra escolha? Sei que há. Mas tenho medo...
- “Bom dia”
- “Boa tarde”
- “Até amanhã”
Quando saio, ao final do dia, despeço-me muitas vezes com um “Até um dia, então”, em tom de brincadeira… Mas sei que não passa disso. Que o medo que nos oprime, vindo cá de dentro, do fundo de cada um, não me vai nunca permitir não aparecer. Deixar o meu lugar vazio à espera de outro qualquer que o ocupe. E ser livre.
O medo da liberdade é o pior… Quero ser livre. Queremos todos! Mas sinto-me segura quando como todas as manhãs um pão com manteiga e meia de leite. Sinto-me segura quando o despertador toca à mesma hora todos os dias. Quando sei que posso ligar àquela amiga sempre que quiser almoçar. Sinto-me segura porque sei o que vou fazer amanhã e depois de amanhã e depois e depois e depois. Sinto-me segura porque todos temos os mesmos dias de férias. Porque a seguir a 6ª é sempre Sábado e depois Domingo. Porque todos os anos faço anos e porque tenho um contrato de água, luz, casa, telefone e gás. Sei com o que conto. E isso é o pior… Gera medo. Medo da liberdade.
Ontem ouvi uma música qualquer que dizia algo com “escolher é perder”. Sim, é esse medo. Quando se escolhe ganha-se e perde-se. Mas ganha-se sempre. E também se perde sempre. Por isso é mais fácil não arriscar e aceitar o que já está definido pela maioria há tantos séculos e que vai mudando subtilmente, gentilmente, mas sempre todos juntos. Para todos.
Quando vim para aqui, trabalhar pela primeira vez, alguém que considero muito semelhante a mim disse-me, ao final do dia:
- Amanhã voltas?
Voltei. Claro. Há outra escolha? Sei que há. Mas tenho medo...
Segunda-feira, Julho 06, 2009
Choose life.

Ontem emoldurei este poster, que já estava em lista de espera há algum tempo. É grande. Pendurei-o na sala, em frente ao sofá. Não consegui deixar de olhar para ele. Não consegui deixar de ler as frases vezes e vezes sem fim.
Choose Life. Choose a job. Choose a career. Choose a family.
Como que hipnotizada. É bonito, o poster. Fica giro na minha sala, por cima da televisão, em frente ao sofá. Mesmo em frente ao lugar onde me costumo sentar. Mas não consigo parar de ler...
Choose a fucking big television, choose washing machines, cars, compact disc players and electrical tin openers. Choose good health, low cholesterol, and dental insurance. Choose fixed interest mortage repayments.
Vezes e vezes sem conta. Até as palavras deixarem de ter significado e serem apenas um amontoado de letras. Mesmo em frente ao lugar onde me costumo sentar.
Choose a starter home. Choose your friends. Choose leisurewear and matching luggage. Choose a three-piece suite on hire purchase in a range of fucking fabrics. Choose DIY and wondering who the fuck you are on a Sunday morning.
Lembro-me onde comprei o poster. Não me lembro em que dia foi, mas já foi há algum tempo. Lembro-me de a pessoa que estava comigo dizer que sempre tinha gostado daquela frase do Transpotting. Não me lembrava de o ter comprado… Ou gostado.
Choose sitting on that couch watching mind-numbing, spirit-crushing game shows, stuffing fucking junk food into your mouth.
Quando o vi, surpreendeu-me a minha própria escolha, mas não me fez confusão – nem as frases, nem a enormidade de letras. Mal o coloquei na parede transformou-se. Julgo eu. Ou transformou-me. É bonito mas é intenso.
Choose rotting away at the end of it all, pishing your last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked up brats you spawned to replace yourself.
Sentada no sofá. No lugar onde me costume sentar dia após dia. Fez-me voltar às questões de que muitas vezes tento fugir. Às questões que por vezes me atormentam mas que se desvanecem com a “maldita vidinha” do dia-a-dia.
Choose your future.
Choose life.
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