Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoísmo para ascender ao céu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.
Mário de Sá Carneiro
Como é que alguém partiu aos 26 anos pôde deixar tantas marcas neste mundo?! Membro da geração Orpheu, poeta, responsável pela introdução do Modernismo, contista, ficcionista… Conheceu Pessoa, o seu mais compreensivo amigo, e Almada Negreiros, estudou na Sorbonne, influenciou vários escritores… Foi extravagante em vida e até na morte! Louco, insatisfeito, inconformista. Fez mais em apenas pouco mais de duas décadas do que a maioria de nós numa vida inteira. Aliás, o que andamos a fazer nós, os que não fazem nada, durante tanto tempo?! A olhar para o tédio?... À procura do elixir da vida eterna?... Se a morte é a única coisa que dá sentido à vida, porque aceitamos esta rotina alienadora de todas as glórias?...
Ouvi, há uns dias, alguém dizer que os actuais 40 são os antigos 30. Concordo e diria mais: são os actuais 20 ou 15. Nesta correria em que vivemos afinal o tempo é longo de mais para sermos alguém. E não possuimos nada... Jamais, em tempo algum, nada do que Sá Carneiro, por exemplo, possuiu: a eternidade.
1 comentários:
Tinha 26 anos?? se calhar tinha mais... mas ninguém contava! :)
Ele vem de uma geração em que as noções de responsabilidade são educadas desde cedo e 26 anos já é uma idade totalmente adulta, ao contrário de hoje.. Actualmente aos 26 anos ainda se vive às custas de alguém, se possível os pais ainda mantém os filhos em casa para os proteger como se fossem bebés e estes não se soubessem proteger do mundo, o que na verdade acontece é que enquanto não sairem de debaixo da asa dos pais nunca vão saber o que é a responsabilidade, nunca vão estar seguros de si próprios, apenas vão estar com as costas quentes, saberem que aconteça o que acontecer, há sempre uma casa à espera em que nunca falta nada...
Não pensando que um dia... infelizmente não vão estar lá e aí a responsabilidade aparece, mas se calhar já é tarde demais...
divaguei demais? talvez...
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