Sexta-feira, Outubro 23, 2009

A vida que se lixe!

Alguém me disse que me colava ao MEC. Que tudo o que escrevia era MEC. Que ligava demasiada importância ao MEC. Que o meu Heypokeimenon era MEC, MEC e mais MEC por todo o lado, que já enchia, saturava, agoniava. Alguém que não prestou a devida atenção ao lugar que se estende e permanece por baixo das coisas que conhecem um nasci­mento, um crescimento, uma modificação, e que, certamente, nunca leu uma linha escrita pelo MEC nesta, nem em outra “vidinha” qualquer.
Sim, vou confessar o óbvio: gosto do MEC. Bebo MEC. Se pudesse “colava-me” ao MEC – mas isso seria insultá-lo! – e não me importava de o conhecer e falar com ele horas a fio no que imagino que seria uma guerra efusiva de palavras, sem medos. Gosto do que tem lá dentro dele. Gosto da forma como brinca com as palavras, que se tornam fáceis, ditadas pelas suas mãos. Do jeito de dizer o que lhe apetece, sem ser o que lhe vai na alma, apenas o que lhe dá na gana em determinado momento. Gosto do caos interno a que sobreviveu (ou não), gosto da forma como se agarra às letras como se elas fossem findar, de repente. Gosto da força que só ele lhes sabe dar. E, por isso mesmo, e também por causa das coisas, porque não dou pessoa de me ficar, como diz o povinho, aqui vai mais um bocadinho de MEC (e ainda por cima repetido, que é para chatear ainda mais!):

“O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.”

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