O Homem sem aspirações é o Homem feliz. Digo eu! Ou como disse o Pessoa:
“O mundo é de quem não sente. A condição essencial para ser um homem prático é a ausência de sensibilidade. A qualidade principal na prática da vida é aquela que conduz a acção. Há duas coisas que estorvam a acção: a sensibilidade e o pensamento analítico, que não é, afinal, mais que o pensamento com sensibilidade. Toda acção é, por sua natureza, a projecção da personalidade sobre o mundo externo, e como o mundo externo é em grande e principal parte composto por seres humanos, segue que essa projecção é essencialmente o atravessarmo-nos no caminho alheio, o estorvar, ferir, e esmagar os outros, conforme nosso modo de agir.
Para agir é, pois, preciso que não nos importemos com facilidade às personalidades alheias, suas dores ou alegrias. Quem simpatiza pára. O homem de acção considera o mundo externo como composto exclusivamente de matéria inerte: ou inerte em si mesma, como uma pedra sobre a qual pisa ou que afasta do caminho; ou inerte como um ser humano que, não lhe podendo resistir, tanto faz que fosse homem ou pedra, pois, tal qual pedra, afasta e passa por cima.
Todo o homem de acção é essencialmente animado e optimista porque quem não sente é feliz.(…) O resto, (...) é a vaga humanidade geral, amorfa, sensível, imaginativa, e frágil. (…)
Livro do Desassossego - Fernando Pessoa
1 comentários:
É por isto e por tudo que ele escreveu que eu o adoro...
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