"Nascemos todos com vontade de amar. Ser amado é secundário. Prejudica o amor que muitas vezes o antecede. Um amor não pode pertencer a duas pessoas, por muito que o queiramos. Cada um tem o amor que tem, fora dele. É esse afastamento que nos magoa, que nos põe doidos, sempre à procura do eco que não vem. Os que vêm são bem-vindos, às vezes, mas não são os que queremos. Quando somos honestos, ou estamos apaixonados, é apenas um que se pretende.Tenho a certeza que não se pode ter o que se ama. Ser amado não corresponde jamais ao amor que temos, porque não nos pertence. Por isso escrevemos romances - porque ninguém acredita neles, excepto quem os escreve. Viver é outra coisa. Amar e ser amado distrai-nos irremediavelmente. O amor apouca-se e perde-se quando quando se dá aos dias e às pessoas. Traduz-se e deixa ser o que é. Só na solidão permanece...
O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido. [...]"
O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido. [...]"
MEC

3 comentários:
Olá,
sou uma nova leitora do teu blog. Gosto daquilo que escreves.
Eu também sou fã do Miguel Esteves Cardoso e tenho na minha estante o 'Explicações de Português' dele, julgo que é desse mesmo livro que nos presenteias com esses excertos.
Sabe bem reler este tipo de coisas. Obrigada.
óptima citação =))
Viva ao MEC!!!
Em despropósito... posso indagar o que é o espírito mouro?
Obrigado por me lembrares a época em que li essas palavras. Foi muito bom.
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