Preciso de um atestado médico para ter ter direito a tempo para sair daqui. Sozinha, sem amarras, nem telefones, nem internet, nem trabalho, nem jantaradas, nem aquele entra-e-sai de casa sem saber realmente para onde vou e de onde vim. Preciso de tempo para me encontrar. 28 anos não chegaram. Ainda não consegui perceber quem sou nem o que que quero ser. Gostava de poder vender tudo, não ter contas para pagar, nem bens com que me preocupar, ninguém a quem ligar,... E partir... Rumo ao meu interior. Havaianas nos pés e na cabeça, o céu.
Preciso de abdicar para um dia realmente ter. Ser. Viver. E perder este medo que me acompanha, sabe-se lá porquê, de estar só. Comigo. Apenas.
Será a crise dos quase 30 anos?! Ou será que esses atestados médicos de que falo, que dão direito a tempo, deveriam existir?...

2 comentários:
A vida que levamos obriga-nos a correr. Pessoalmente, não me queixo. Escolhi o Jornalismo, porque gosto da vertigem alucinante do amanhã desconhecido. Todos os dias, ando a um ritmo de 400km/h, sem saber ao certo o que vou fazer a seguir. Mesmo assim, revejo-me estranhamente nas tuas palavras. Se calhar é por isso que me sabe tão bem pegar nas sapatilhas (e no Mp3) e ir correr durante uma hora ou duas. Sem Internet, sem telemóvel. Sozinho, incontactável, sem deixar rasto. Todos os dias tento tirar esse momento para mim. Só assim consigo manter-me equilibrado, com a sensação de que, de vez em quando, até posso desligar-me do mundo e respirar. E sabe (muito)bem...
Como psicóloga aos 25, digo-te: eu devia ter uma resposta cientifica e reconfortante para essa tua duvida. Em boa verdade, ela está aqui na ponta da língua. Sei exactamente o que te diria se te estivesse a fazer psicoterapia. Orientar-te-ia para fora dessa duvida existencial, dependendo o teu sucesso apenas do meu profissionalismo.
Mas 'em casa de ferreiro, espeto de pau' e ao contrário do que se pensa, nem os psicólogos estão sempre a interpretar desabafos informais, nem são exemplos de bem saber viver.
Eu, Ana, despida da minha formação académica, confesso-te que mesmo deparando-me com vidas bem (mto mais) confusas que a minha(n digo dificeis pk a psicologia imbutiu em mim que o conceito e sentimento de dificuldade varia de pessoa para pessoa e não de apenas da circunstancia).
Ando quase sempre perdida de sentido para tudo isto. Sem diminuir a tua desorientação, imagina o que é querer tempo para me procurar e não poder porque tenho de ajudar os outros a encontrarem-se!
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